Nome: Paulina Chiziane
Ano de nascimento: 1955
País: Moçambique

LINKS ÚTEIS

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+ Entrevista com TVM (Macau) no programa A Páginas Tantas

MOMENTOS CHAVE

2013
Publicação do livro Porque Vibram os Tambores do Alem
Publicação do livro Na mão de Deus

2009
Publicação do livro As Andorinhas

2008
Publicação do livro O Alegre Canto da Perdiz

2003
Premio José Craveirinha – pelo obra Niketche: Uma História de poligamia

2002
Publicação do livro Niketche

2000
Publicação do livro O Sétimo Juramento

1993
Publicação do livro Ventos do Apocalipse

1990
Publicação do livro Baladas de Amor ao Vento

LEGADO

Paulina Chiziane, uma contadora de estorias que através da observação profunda e da arte de escutar, nos faz viajar por aventuras magicas, estonteantes de enredos emocionais que não permitem a leitora ou o leitor pousar o livro sobre a mesinha de cabeceira. Tendo nascido e crescido até a sua juventude na era em que a colonização portuguesa atingia o seu auge em Moçambique, cedo aprendeu a usar a escrita como forma de recuperar o seu espaço, de transformar ideias supostamente inofensivas em obras de reflexão e de procura da personalidade de um povo. Documenta a vida da gente, escutando as matizes e diversidade de mulheres e homens que cruzam o seu caminho e olha o mundo na perspectiva de ser mulher. Mulher na sua forma mais completa, harmonizando a alma, o espírito e a mente através da beleza física e de pensamento de uma forma deslumbrante.

Nasceu no distrito de Manjacaze aos 4 de Junho de 1955. Ate a idade dos 7 anos foi influenciada pelo conhecimento popular, forjado por valores que cultivam o bem e transformam o mal transmitido através das historias da sua avô, a volta da fogueira. No que diz respeito a manutenção de valores, Paulina explica em uma entrevista que quando ela era criança, a aprendizagem era através da repetição ‘as historias a volta da fogueira fazem parte de mim, era a mesma estoria contada milhares de vezes mas cada vez que a escutávamos era diferente. A estoria tinha sempre personagens bons e maus. Nos éramos os personagens da estoria e nelas recebíamos o presente de ter um bom comportamento pois éramos os personagens bons ou o castigo de nos comportarmos mal pois nos protagonizavam como os personagens maus’. Paulina mudou-se para os subúrbios de Maputo capital Moçambicana para aprender a arte de ler e escrever na escola de uma missão católica e já muito jovem usou essa arte para preservar a biblioteca imensa que está nas tradições orais. Iniciou o seu trabalho literário em 1984 com a publicação de contos na imprensa moçambicana, precisamente no jornal Domingo e na revista Tempo.

Hoje, celebrada em todo o mundo como a primeira mulher moçambicana a publicar um romance, Paulina se defende como uma contadora de estorias, fugindo da catalogação que os seres humanos temos tendência de fazer para depois cobrar dividendos. Por isso, os enredos de Paulina fazem uso de todos os estilos literários para tornar o conto mais vívido, por vezes mais claro e por outras menos, dependendo da condição da pessoa que o lê. Os seus enredos são tão apaixonantes que permitem a cada um fazer as conclusões que melhor lhe convêm pois ela, a escritora, a contadora de estorias, não faz juízo, transmite informação, conhecimento, enigmas para que cada um chegue a seu porto em companhia dos seus livros. Esta celebração, foi retardada por essa vontade de Paulina de ser o que é, de não ser catalogada o que fez com que em 1993 auto-publicasse a 1ª edição do seu livro Ventos do Apocalipse.

A sua vida profissional, levou-lhe a conhecer as diferentes realidades de Moçambique, colhendo sabedoria da diversidade cultural que lhe proporcionou esse contacto. A sua obra Niketche: Uma historia de poligamia, é fruto dessa colheita. Onde através dos olhos de mulher, pois como Paulina mesmo diz ‘sou uma mulher que conto estorias de mulheres’, nos apresenta um mosaico cultural que desce de norte a sul do pais e que nos introduz à formas de pensar e viver que parecendo diferentes, todas têm o mesmo fim, praticar o amor, a compaixão, a cumplicidade, partilhar o conhecimento e crescer com o crescimento dos demais. Niketche inspira a reflexão e a celebração da riqueza mais profunda de uma sociedade – o respeito à vida. Os seres humanos têm uma capacidade excepcional de crescer em momentos de crise. Paulina esteve durante alguns anos incapacitada de trabalhar por motivos de saúde. Ultrapassado esse desafio, hoje temos uma Paulina mais madura, mais aberta e com maior disposição de mergulhar em assuntos tabus como é o caso do seu ultimo livro Porque vibram os tambores do alem, que nos leva a uma reflexão sobre a necessidade de documentar e divulgar o conhecimento oral que durante séculos serviu para cuidar a humanidade e que hoje por desconhecimento e por medo, corremos o risco de perde-lo completamente.

Paulina é uma contadora de estorias sim, estorias que nos fazem brincar com a verdade, sorrir com os olhos, chorar de paixão e acreditar que somos todos parte da mesma humanidade.

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